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A única guerra que se perde é aquela que se abandona

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sexta-feira, 6 de maio de 2016

Une tentative de coup d’Etat

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Libération
Une tentative de coup d’Etat
(uma tentativa de golpe de Estado)
Par Maud Chirio
Historienne, spécialiste de l’histoire contemporaine du Brésil, maître de conférences à l’université de Paris-Est Marne-la-Vallée. — 4 mai 2016 à 17:11

La procédure de destitution de la présidente Rousseff ne semble guère ressembler à un soulèvement contre la corruption. Mais plutôt à une manœuvre de la droite qui aimerait revenir aux affaires.
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Jusqu’il y a quinze jours, la presse internationale donnait de la crise politique au Brésil une lecture quasi univoque : la révélation de l’implication massive du Parti des travailleurs (PT) dans l’affaire de la Petrobras, qui atteindrait l’ex-président Lula lui-même, serait la cause de la tentative d’impeachment contre Dilma Rousseff. Leur trahison éthique et leur actuelle résistance politique leur seraient reprochées dans la rue par des millions de citoyens.
Ce récit, répété à l’envi par la grande presse brésilienne, a été entaché par le triste spectacle donné par les députés lors de leur approbation, le 17 avril, de la poursuite de l’impeachment. Défilant un par un au perchoir, ils ont dédié leur vote aux causes les plus variées, souvent personnelles ou religieuses ; l’un d’eux a rendu hommage à un tortionnaire de la dictature militaire responsable d’avoir défiguré Rousseff ; presque aucun n’a mentionné les motifs de l’impeachment.
Ce n’est qu’alors que les doutes ont émergé à l’étranger. Il est apparu que la Présidente n’est ni touchée par l’enquête ni par aucun autre scandale de corruption, à la différence d’un grand nombre de ténors du PSDB (droite), PMDB (centre) et du PT (gauche de gouvernement). Le motif depuis longtemps invoqué pour l’impeachment est mineur : des débits budgétaires reportés d’une année sur l’autre pour pouvoir annoncer un déficit inférieur, un maquillage des comptes publics que toutes les administrations précédentes ont pratiqué. L’impeachment, en l’état, est donc injustifiable juridiquement.
Ceux qui le pilotent sont, au contraire, englués jusqu’au cou dans le scandale. Le président de la Chambre, Eduardo Cunha, à la tête de la destitution, est ainsi mis en examen depuis deux mois pour des pots-de-vin et une gigantesque évasion fiscale, sans que sa propre procédure ne progresse ni ne suspende son mandat. La moitié de la commission parlementaire d’impeachment est mouillée dans des affaires de corruption. Ce Parlement (très à droite) avait d’ailleurs, après les manifestations de juin 2013, bloqué la réforme politique de la présidence qui aurait pu permettre de diminuer le niveau de corruption au sein des partis politiques. Dilma Rousseff est, en fait, après des années d’affaires glissées sous le tapis et de pressions sur des juges, la première présidente à permettre que la justice enquête massivement sur des politiciens corrompus.
Les réelles motivations pour la faire tomber sont à chercher dans le refus de la droite, depuis 2014, d’accepter sa défaite. Le score serré à la présidentielle, les insuffisances du premier mandat, la récession catastrophique, ont fait remonter une haine contre tout ce que représente le PT (tout particulièrement les politiques d’inclusion sociale héritées de Lula). Les manifestations «pro-impeachment» sont le miroir de cette hostilité dramatique : on y dénonce la corruption du PT, mais aussi «le communisme» et «l’assistanat». La société est parvenue, politiquement, à un climat de guerre civile. La droite entend en profiter pour revenir aux affaires, et tenter d’échapper aux enquêtes et profiter de la situation pour mener une révolution néolibérale. Le vice-président Michel Temer l’a déjà annoncé : une fois investi, il privatisera «tout ce qui sera possible», pétrole et éducation inclus.
Evidemment, les révélations récentes ont montré que le PT a largement participé au gigantesque système de corruption. On sait depuis le premier mandat de Lula (scandale du «Mensalão», 2005) que le parti a trahi sa promesse d’être «propre», pour mener des politiques d’inclusion que rejetait l’écrasante majorité de la classe politique (qu’il lui a fallu acheter), mais aussi parce que beaucoup ont voulu s’enrichir personnellement. Lula n’a pas mené la bataille contre la corruption et en paie aujourd’hui le prix. Dilma gouverne très peu, très mal, très loin des valeurs originelles du PT, mais ni l’échec de son mandat, ni la corruption de son parti, ni même celle (supposée) de Lula ne justifient sa destitution.
Le Brésil connaît donc un coup d’Etat, c’est-à-dire le renversement illégal d’un pouvoir élu démocratiquement. Ce coup est mené par l’opposition de droite : une droite politique qui veut échapper aux condamnations et revenir aux affaires pour mener le tournant néolibéral auquel même la dictature militaire n’était pas parvenue ; et une droite judiciaire qui utilise les enquêtes et leur médiatisation de façon partisane. Que des millions de personnes appuient ce putsch dans la rue n’y change rien. D’autres l’avaient fait avant eux il y a cinquante ans, lorsqu’un coup d’Etat militaire avait été acclamé par la rue, la presse, et la majorité de la classe politique. La dictature a duré vingt et un ans.
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Maud Chirio Historienne, spécialiste de l’histoire contemporaine du Brésil, maître de conférences à l’université de Paris-Est Marne-la-Vallée.
Libération

Uma tentativa de golpe de estado
(uma tentativa de golpe de Estado)

Por Matilde chirio
Historiadora, especialista da história contemporânea do Brasil, mestre de conferências na Universidade de Paris-Marne-la-Vallée. - 4 de maio de 2016 às 17:11

O processo de impeachment da Presidente Rousseff não parece nada parecido com uma revolta contra a corrupção. Mas mais uma manobra da direita que gostaríamos de voltar aos negócios.
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Até há quinze dias, a imprensa internacional dava a crise política no Brasil uma leitura quase inequívoca: a revelação da participação maciça do partido dos trabalhadores (PT) no caso da Petrobras, que atingiria o ex-Presidente Lula ele - mesmo, seria a causa da tentativa de impeachment contra Dilma Rousseff. Sua traição ética e sua atual resistência política lhes seriam censuradas na rua por milhões de cidadãos.

Este relato, repetido à saciedade pela grande imprensa brasileira, foi manchado por o triste espectáculo dado pelos deputados aquando da sua aprovação, em 17 de abril, da continuação de impeachment. Enrola um por um no poleiro, eles têm dedicado seu voto nas causas as mais variadas, muitas vezes pessoais ou religiosas; um deles prestou homenagem a um torturador da ditadura militar responsável de ter desfigurado Rousseff; quase nenhum mencionou os motivos De Impeachment.

É só então que as dúvidas surgiram no estrangeiro. Verificou-se que a presidente não é nem tocada pelo inquérito nem por nenhum outro escândalo de corrupção, a diferença de um grande número de tenores do PSDB (direita), PMDB (Centro) e do PT (esquerda do governo). O motivo há muito invocado para o impeachment é menor de idade: dos fluxos orçamentais transitar de um ano para o outro para poder anunciar um défice inferior, uma maquiagem das contas públicas que todas as administrações anteriores têm praticado. Impeachment, o estado é, portanto, injustificável juridicamente.

Aqueles que voam são, pelo contrário, atolados até o pescoço no escândalo. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, a cabeça da impeachment, está bem colocado na revisão há dois meses para potes-de-vinho e uma enorme evasão fiscal, sem que o seu próprio procedimento não progride nem suspenda o seu mandato. Metade da Comissão Parlamentar de impeachment está molhada em processos de corrupção. Este Parlamento (muito à direita) tinha, aliás, após as manifestações de junho de 2013, bloqueou a reforma política da presidência que poderia permitir reduzir o nível de corrupção no seio dos partidos políticos. Dilma Rousseff é, na verdade, depois de anos de negócios deslizar sob o tapete e de pressões dos juízes, a primeira presidente a permitir que a justiça inquérito maciçamente no dos políticos corruptos.

As verdadeiras motivações para a derrubar estão a procurar na recusa da direita, desde 2014, a aceitar a derrota. O placar apertado presidencial, as insuficiências do primeiro mandato, a recessão catastrófica, fizeram subir um ódio contra tudo o que representa o PT (especialmente as políticas de inclusão social herdadas da Lula). As manifestações " Pró-IMPEACHMENT " São o espelho dessa hostilidade dramático: vamos denunciar a corrupção do PT, mas também o " comunismo " e do " assistencialismo ". A sociedade chegou, politicamente, a um clima de guerra civil. A direita pretende aproveitar para voltar aos negócios, e tentar escapar às investigações e tirar proveito da situação para realizar uma revolução neoliberal. O vice-Presidente Michel Téměř já foi anunciado: uma vez investido, privatiza "tudo o que for possível", Petróleo e educação, inclusive.

Obviamente, as revelações recentes mostraram que o PT participou no gigantesco sistema de corrupção. Sabemos desde o primeiro mandato de Lula (escândalo do "Mensalao", 2005) o partido que traiu a sua promessa de ser "LIMPO", Para desenvolver políticas de inclusão que rejeitava a esmagadora maioria da classe política (que ele levou para comprar), Mas também porque muitos quiseram enriquecer pessoalmente. Lula não conduziu a batalha contra a corrupção e paga hoje o preço. Dilma governa muito pouco, muito mal, muito longe dos valores originais do PT, mas nem o fracasso do seu mandato, nem a corrupção do seu partido, nem mesmo a (suposta) de Lula não justificam a sua deposição.

O Brasil conhece, portanto, um golpe de estado, é para dizer o derrube ilegal de um poder democraticamente eleito. Esse golpe é conduzido pela oposição de direita: uma direita política que quer escapar às condenações e voltar aos assuntos para levar a viragem neoliberal que nem mesmo a ditadura militar não conseguira; e uma direita judicial que utiliza as investigações e sua mediatização de forma Partidária. Que milhões de pessoas que apoiam este golpe de estado na rua não muda nada. Outros o tinham feito antes deles há cinquenta anos atrás, quando um golpe de estado militar tinha sido aclamado pela rua, a imprensa, e a maioria da classe política. A ditadura durou vinte e um anos.
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Matilde chirio historiadora, especialista da história contemporânea do Brasil, mestre de conferências na Universidade de Paris-Marne-la-Vallée.

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