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sábado, 7 de maio de 2016

Uma aula sobre o Bolsa Família

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UMA AULA SOBRE O BOLSA FAMILIA

"Hoje a discussão política me levou a perder um amigo, um amigo que, até então, eu queria muito bem. Ele se chama Henrique. Eu respeitava muito o Henrique, que sempre foi dos colegas mais estudiosos, mais ponderados. Aquele tipo sabido que sempre tem o que dizer e sempre o faz sem arrogância. Mas hoje descobri o verdadeiro Henrique. Lhes explico: li no jornal que a presidenta Dilma iria reajustar o Bolsa Família. Logo liguei pra ele, pra compartilhar esse absurdo.
- Alô, Henrique, você viu a última?
- Não, Lelê, qual foi?
- Diz que a Dilma vai reajustar o Bolsa Família! Li no G1 agora. Justo num período de ajuste fiscal! Como assim?
- Veja bem, Letícia, é que a política social tem que ser anticíclica...
- Anti o quê?
- Anticíclica. Quer dizer que tem que atuar firmemente nos períodos de crise, para evitar as perdas para a população mais pobre, que em geral perde mais nesse período.
- Henrique, por favor, você não está defendendo o aumento da vagabundização remunerada com os impostos que nós pagamos, né?
- Olha, Letícia, o Bolsa Família só custa 0,5% do PIB e, no Brasil, os pobres pagam proporcionalmente mais impostos que os ricos. Então a gente pode até dizer que os próprios pobres pagam o Bolsa Família, não os ricos. Tem até um amigo meu economista que diz que o Bolsa Família é enxugar gelo – transfere renda pros pobres, com o próprio imposto dos pobres.
- Henrique, veja bem, eu tenho muito respeito por você, mas pra dizer que o Governo tem que dar dinheiro sem cobrar nada em troca, aí você vai ter que me convencer;
- Tá certo, veja bem, as crianças do Bolsa Família têm ido à escola, têm atingido taxas de aprovação próximas aos dos outros estudantes e pararam de morrer de diarreia e desnutrição com o Bolsa Família. Mas deixa isso pra lá. Você já fez seu Imposto de Renda deste ano?
- Fiz. Por quê?
- Veja lá o quanto você ganhou do Estado só na dedução por dependente. Não veja a dedução dos gastos com educação e saúde não. Só a dedução por dependente mesmo.
- Calma aí. Deu 548 reais por cada filho. Tenho dois.
- Significa que o Estado te deu, sem cobrar nada em troca, 91 reais por mês só pelos seus filhos. Sem ver se eles estão indo à escola, nem nada. Isso é quase 60% do valor do benefício médio do Bolsa Família.
- Mas, Henrique, eu trabalho, né? Faça-me o favor! Vai me comparar com gente que prefere ficar mamando nas tetas do Estado do que trabalhar.
- Letícia, nunca li nenhuma pesquisa séria que identificasse que os pobres deixam de trabalhar com o Bolsa Família. Sempre ouço a mesma história da empregada da amiga da amiga da minha tia no Ceará que não quis mais trabalhar... Mas fora a empregada da amiga da amiga da minha tia, desconheço qualquer evidência empírica...
- Henrique!!!
- Letícia, com seu salário de um mês, dá pra pagar o Bolsa para uma família pobre por 11 anos...
- Henrique, tá maluco??? Quer que eu pague Bolsa Família agora??? Eu, que todo ano contribuo com as cartas de natal dos Correios pros meninos pobres??? Eu, que distribuo sopa pros mendigos na época do inverno??? Tá me estranhando, Henrique???
- Não, Letícia, estou defendendo que você, que pratica a caridade cristã, entenda que o Estado tem a função de preservar os mais pobres. É um dever do Estado trabalhar pelo combate à pobreza e à desigualdade. Está até na Constituição. Ademais, não vejo ninguém por aí ninguém reclamando de ganhar benefício por dependente no Imposto de Renda...
- Henrique! Henrique!!! Você virou petista, meu amigo!!! Que horror!

Então bati o telefone na cara dele e, muito nervosa, pedi à babá que ficasse até mais tarde, pra eu poder me recompor. Que tempos difíceis! Até o Henrique, meu Deus...até o Henrique..."

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