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A única guerra que se perde é aquela que se abandona

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domingo, 15 de maio de 2016

Marcia Tiburi

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Temer ou a vergonha alheia nacional



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Michel Temer vai ocupar o posto de presidente da república com unhas e dentes por 180 dias. A ilegitimidade da situação atual ficará cada vez mais escancarada para aqueles que já o veem como um figura morna e sem expressão.
Muitas pessoas sabem há pouco tempo, pelo noticiário em torno do golpe, que ele é o vice-presidente e, agora, o interino golpista. Se por um lado, isso pode envergonhar pela ignorância institucional, pelo menos quem não o conhecia até o momento foi poupado de outra vergonha, a vergonha alheia. O golpe causa vergonha. Mas causa ainda mais vergonha porque será Temer, o príncipe das trevas da vergonha alheia, a ocupar esse lugar antes especial de presidente eleito pelo povo e agora manchado pela abjeção do golpe.
Temer nu
Se a cadeira da presidência fosse um trono, e o Brasil fosse uma monarquia, Temer seria um rei nu sentado em um vaso sanitário. Essa é uma das tantas imagens que podem animar a nossa fantasia diante da abjeta figura que se coloca no cenário político da cada vez mais ridícula política brasileira.
Estava aqui a pensar no que dizer sobre esse personagem que atravessou a história política do Brasil. Um sujeito bastante oculto, sem expressão e que, caroneiro na chapa de Dilma Rousseff, tornou-se a parte mais essencial do golpe que a afasta de seu posto e a impede de governar.
Falar algo sobre o personagem político que é Michel Temer sem cair em adjetivismos baratos também pode ser pouco expressivo. A expressão barata talvez seja a que melhor expressa o golpista no poder. Afinal o que dizer de alguém que se torna presidente por uns tempos sem legitimidade alguma? Podemos nós que lutamos pela democracia falar com a força devida dessa abjeção? O golpe é emudecedor. O que dizer de um golpista que chega ao cargo máximo na representação nacional movido e ajudando a mover artimanhas de políticos que ninguém consegue respeitar? O que dizer de alguém que age como sócio-político de Eduardo Cunha? Que agora seremos governados por golpistas, gângsters, por uma verdadeira máfia?
Temer é o rei da vergonha nacional nesse momento. Mas sua história como imagem da vergonha é velha como ele. Ficou famoso entre os escritores brasileiros por ser o grande mico da feira de Frankfurt de 2013. Quem já ouviu algum de seus poemas, lastimará a falta de noção do político que tem todo o direito de escrever e de mostrar o que escreve, mas não tem noção do ridículo que ele mesmo provoca. Talvez agora ele peça – a exemplo FHC que atacava com estilo onde faltava conteúdo – que esqueçam seus escritos se é que alguém lembrou deles.
A famosa “carta a Dilma” também faz parte do seu histórico relativo ao ridículo. Sua jovem mulher exposta sob o anacronismo do slogan “bela, recatada e do lar” que o jornalismo golpista tentou transformar em elogio, paga o mico de ser adereço, a prótese que poderia melhorar sua figura.
O ridículo toma a cena do político quando Michel Temer entra em cena
Dizem que foi o falecido coronel ACM que primeiro o chamou de “mordomo de velório”. Desde então, o povo brinca com sua pose de vampiro. Mais recentemente, desde que sua postura covarde e invejosa da presidenta Dilma ficou clara, seu rosto aparece em memes da internet colado ao corpo da presidenta, como se ele pudesse, por um artifício, tornar-se ela. A sabedoria iconológica das redes não o poupa. Comparado à criança mimada ou à personagem má da novela, Temer é uma espécie de piada pronta, mas infelizmente, nesse momento, uma piada de muito mau gosto da qual é difícil rir porque o riso exige um prazer ao qual sua figura impotente não leva.
No seu caso, de fato é preciso rir para não chorar. Quando concorreu a deputado federal em 2006, Temer fez 99.046 votos, menos de 0,5 % do total. Se elegeu graças à distribuição das vagas que sobram para os menos votados. Ficou entre os últimos colocados da bancada do PMDB naquela época. Hoje não seria muito diferente se fosse candidato a presidente. Mas quem precisa de votos, quem precisa de legitimidade, quem precisa de Constituição quando se pode pegar carona de vice e depois dar um golpe?
Temer vai entrar para a história como um golpista e como um personagem ruim de uma comédia de baixo nível.
Os brasileiros também entram para a história. Como o povo mais otário do planeta. Mas quem não tem senso histórico não se importará com isso.
Os que tem senso histórico lutam pela democracia e a levam a sério apesar da palhaçada em que personagens perversos a transformam nesse momento.
Coma da democracia
Talvez Temer venha a ser objeto de um impeachment, pois também ele, como metade dos governadores dos estados da nação, praticou as chamadas “pedaladas fiscais”. A se manter a interpretação de que elas sejam crime e se a justiça voltar a valer depois do coma democrático em que estamos, desse estado de exceção em que a Constituição não vale mais, teremos um país todo reconfigurado politicamente ou o governo Dilma de volta. Isso ninguém espera do sujíssimo STF igualmente vendido e afeito ao clima fascista e autoritário que caracteriza o poder judiciário.
Quando o governo não é legítimo, não há democracia.
O patriarcal ministério de Temer sem mulheres é sinal de anacronismo, de coronelismo, da tacanheza da proposta que vem ocupar esse deserto político que e o espaço e o tempo do golpe.
Dilma Rousseff é a metáfora da democracia brasileira neste momento, estuprada por coronéis machistas e endógenos em sua política de século 19.
O povo poderá resgatar a si mesmo ao resgatar o governo eleito afirmando a democracia nas ruas.

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