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A única guerra que se perde é aquela que se abandona

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quinta-feira, 7 de abril de 2016

Pablo Villaça

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Em teoria, o Brasil tem três poderes: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Mas só em teoria (leia-se: na Constituição). Na prática, há um quarto poder que vem se mostrando determinado na tarefa de dominar os demais.
Estou falando, claro, da Oposição no Congresso (em maiúsculas que se contrapõem à pequenez de suas ações).
Este poder começou a se manifestar no início do mandato mais recente, quando Eduardo Cunha se tornou seu "presidente", e sua estratégia foi a de conquista em etapas. Primeiro, o Legislativo: sem qualquer pudor ao estraçalhar os regimentos internos da Câmara, Cunha e seus cúmplices simplesmente refaziam votações cujos resultados iniciais não lhes interessavam, alteravam ordens na pauta de acordo com suas prioridades imediatas e ignoravam completamente qualquer matéria enviada pelo Executivo com o objetivo de responder às exigências da Economia.
Aos poucos, o Legislativo virou a Casa do Cunha, levando adiante projetos conservadores que serviam aos interesses da bancada BBB (Boi, Bala e Bíblia), promovendo retrocessos inacreditáveis em um país que vinha se estabelecendo como uma voz rumo à modernidade.
Em seguida, a Oposição no Congresso voltou suas forças contra o Executivo: se antes já aprovava pautas-bomba que se encarregavam de minar a popularidade e a eficiência do governo, agora a Casa de Cunha passava a atacar diretamente o mandato de Dilma, praticamente interrompendo as atividades da Câmara como forma de chantagem para acelerar/viabilizar o impeachment. Como resultado, 2015 foi um ano atirado no lixo, já que a Oposição parou o país enquanto se dedicava exclusivamente à tarefa de tentar tomar o poder na marra.
Claro que para isso contribuiu o fato de a Oposição no Congresso ser o único dos poderes a contar com um forte braço midiático a apoiá-lo, defendendo algumas de suas ações, escondendo outras e ajudando a demonizar a esquerda e a presidenta.
Notem, por exemplo, como a demissão de um promotor foi noticiada recentemente como "promotor que investigava Lula é demitido", ignorando completamente o fato principal da questão: a de que foi demitido por TORTURAR a esposa (sua defesa: liberdade religiosa, acreditem ou não. Aliás, sua advogada foi a mesma Janaína Paschoal que esta semana recebeu o espírito de Feliciano enquanto discursava contra Dilma, mencionando "Anjos do Senhor", "Deus (cortando) as asas da cobra" e outras imagens que apenas comprovam a confusão habitual da direita com relação à separação entre Estado e Igreja).
Agora, depois de avançar contra Legislativo e Executivo, a Casa de Cunha se volta para o Judiciário: ao receber determinação de ministro do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL para apreciar o impeachment de Michel Temer, Cunha respondeu apenas - e inacreditavelmente - que "não se vê na obrigação de obedecer". Isto depois de usar várias vezes o seu cargo para interferir ao máximo na comissão de ética que o julga pelas pencas de denúncias (incluindo provas de manter contas não declaradas no exterior). Antes, claro, Cunha já havia modificado os ritos do impeachment como bem entendeu, sendo finalmente advertido pelo STF, que determinou a forma de conduzir o processo. (E que ele mais uma vez ignorou, reiniciando tudo.)
Como se não bastasse, a Oposição no Congresso passou a defender a ideia de adotar o parlamentarismo no Brasil - isto mesmo sabendo que a Constituição previa um plebiscito em 1993 que, claro, foi realizado e confirmou o presidencialismo como modelo de governo. Enquanto isso, o RELATOR do impeachment diz que "não levará em consideração" a DEFESA da pessoa que está sendo por ele julgada.
Mas a Oposição no Congresso não se constrange em agir à margem da Lei e da Constituição: e esta semana, um deputado do DEM chegou a ponto de declarar que irá intimidar OS FAMILIARES de deputados indecisos quanto ao impeachment a fim de "convencê-los" a votar contra o governo.
E só mesmo a certeza de impunidade pode levar alguém a dizer algo assim publicamente.
Muito vem sendo dito sobre o fato de que, caso Dilma seja derrubada pelo golpe protagonizado pelo Congresso e pela mídia, Eduardo Cunha se tornará, na prática, o vice-presidente do país (e percebam que a situação de Temer já é frágil). Pois, infelizmente, acho que na prática ele já está muito mais próximo do poder absoluto do que muitos percebem.
E o mais impressionante é que, para Cunha, as panelas se calam.


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