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terça-feira, 26 de abril de 2016

Os 13 pontos que David Miranda deveria ter mencionado em sua polêmica com João Roberto Marinho

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David Miranda escreveu uma resposta a João Roberto Marinho, na polêmica que envolve o jornalista e o todo-poderoso da Globo. O que faltou ele dizer aos leitores do Guardian?
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David Miranda escreveu uma resposta a João Roberto Marinho, na polêmica que envolve o jornalista e o todo-poderoso da Globo. O que faltou ele dizer aos leitores do Guardian?
1. O empresário Mario Wallace Simonsen, o maior exportador brasileiro de café nos anos 50 e 60, dono da Panair, tinha uma poderosa e sofisticada emissora de TV quando João Goulart foi derrubado em 1964. Os militares não confiavam em Simonsen. O empresário foi destruído por eles. Entregaram a companhia aérea Panair à Varig e causaram a bancarrota de Simonsen e da TV Excelsior — em benefício da Globo.
2. A estrutura física da TV Globo foi toda levantada com dinheiro público. Os militares queriam expandir a rede de comunicação brasileira, temerosos de perder a unidade nacional. Criaram a Embratel. A Globo cresceu nas asas da Embratel, empresa pública que espalhou uma rede de antenas e transmissores em todo o território nacional. Dinheiro público, lucros privados.
3. Uma vez deposto João Goulart, o Brasil poderia ter tomado vários caminhos. Carlos Lacerda, corneteiro da quartelada, acreditava que seria eleito presidente se houvesse eleições. Outras lideranças civis, livres de Goulart, também acreditavam numa saída que não fosse a de um governo ditatorial. Está registrado em telegramas da diplomacia dos Estados Unidos que Roberto Marinho trabalhou nos bastidores para que Castelo Branco permanecesse no poder, em nome da “estabilidade”. Ou seja, pela continuidade do regime militar num momento em que ele ainda não estava politicamente consolidado.
4. Durante a ditadura militar, o espertíssimo Marinho reproduziu os moldes de um grande partido oligárquico, se associando econômica e politicamente a grupos hegemônicos locais. A Globo precedeu o PMDB de hoje em trinta anos e sobreviveu ao fim da ditadura justamente por isso. Está associada aos Sarney no Maranhão, à família Collor em Alagoas, à família Sirotski no Rio Grande do Sul — e assim sucessivamente, em todo o território nacional. É o coronelismo eletrônico.
5. A Globo fez de um de seus afiliados, Fernando Collor de Melo, o presidente da República. Derrotou Lula, mas para a emissora inaceitável era mesmo Leonel Brizola, que quando tentou usar o Rio de Janeiro como trampolim para chegar ao Planalto — o Rio era a caixa de ressonância do Brasil — teve de enfrentar uma tentativa de fraude eleitoral em que se suspeita até hoje da participação da Globo.
6. Desde 1962, quando João Goulart aprovou a mais recente lei de regulamentação do setor, a Globo trabalhou contra a definição de um arcabouço jurídico sob o qual seria obrigada a atuar. A explicação é óbvia: com o poder de pressão que exerce nos bastidores, a Globo não quer ter nenhuma amarra legislativa. Prefere decisões administrativas tomadas por funcionários públicos que nem sonham em desafiá-la. A selva regulatória no Brasil, portanto, não é por acaso.
7. A Globo fez aprovar uma lei que regulamentou oficialmente o jabá no mercado publicitário. Quanto mais uma agência concentrar o dinheiro de seus clientes na Globo, mais recebe retorno financeiro antecipado pela emissora. É uma forma de induzir as agências à preguiça e os anunciantes ao desperdício. É por isso que a Globo vive promovendo prêmios, encontros e outros salamaleques para o mercado publicitário: é a tradicional troca de favores que marca a cultura brasileira e sufoca a liberdade de mercado que a emissora diz apoiar.
8. A Globo não recebe apenas o grande quinhão das verbas publicitárias municipais, estaduais e nacional, diretamente ou através de afiliadas. Ela drena os cofres públicos de diversas formas. A Fundação Roberto Marinho financia parte de suas atividades com injeção direta de dinheiro público e outra com isenção fiscal de grandes empresas através da Lei Rouanet. Na administração de alguns dos principais museus do Rio e de São Paulo, a Globo ocupa patrimônio público, não bota um tostão do bolso e dita os parâmetros do aceitável na cultura nacional. O Museu do Futebol, no Pacaembu, jamais colocará em sua exibição uma faixa da torcida Gaviões da Fiel detonando os cartolas ou a própria Globo.
9. Lula não era inaceitável para a Globo quando assumiu o poder, em 2002. Porém, assim que a direita neoliberal se reorganizou depois de falir o Brasil, a Globo passou a articular uma plataforma política agressiva que resultou, já no período que antecedeu a reeleição de Lula, em 2006, numa limpeza ideológica das redações. O primeiro demitido foi o comentarista Franklin Martins. Portanto, é ingênuo acreditar que a emissora tenha agido de forma parcial apenas neste período do processo de impeachment. Esta é uma história de ao menos dez anos, sobre a qual existem milhares de episódios de omissão, manipulação, distorção ou propaganda conservadora no noticiário — antes, durante e depois de campanhas eleitorais.
10. A Globo é hipócrita e não trata a própria corrupção como trata a dos outros. No dia em que Ricardo Teixeira pediu afastamento da presidência da CBF, a Confederação Brasileira de Futebol, mereceu uma reportagem elogiosa do Jornal Nacional. Isso depois de ser denunciado pelo jornalista Andrew Jennings da BBC, denúncia que foi aprofundada em investigação da TV Record no Brasil. Teixeira estava sob investigação da promotoria do cantão de Zug, na Suíça, junto com o sogro João Havelange, por embolsar milhões de dólares em propina através de uma empresa de nome Sanud, baseada em Liechtenstein. A história da relação entre Teixeira, Havelange e a Globo está minuciosamente relatada no livro O Lado Sujo do Futebol, mas a maior emissora do Brasil escondeu praticamente tudo de sua parceria com Havelange, Teixeira e outros cartolas durante quase 50 anos!
11. Um dos casos em que houve envolvimento direto da família Marinho com tramoias foi denunciado exclusivamente pela blogosfera brasileira e não saiu nos telejornais da emissora: a Globo foi multada em mais de R$ 600 milhões por sonegação de impostos na compra de direitos da Copa do Mundo. Segundo documentos oficiais da Receita Federal, a emissora recorreu a uma engenharia financeira envolvendo uma empresa de nome Empire, no paraíso fiscal das ilhas Virgens Britânicas. A Globo simulou investimento no Exterior para montar a Empire. Em seguida, desmontou a empresa e usou o capital para comprar os direitos da FIFA. Incrivelmente, quando o processo estava em andamento foi fisicamente furtado de uma repartição da Receita no Rio de Janeiro. Apesar de ter sido refeito e de a Globo ter pago a multa, o furto pode ter servido para livrar os irmãos Marinho de processo na área criminal.
12. No escândalo da FIFA, que está sendo investigado pelo FBI nos Estados Unidos, um dos presos é J. Hawilla, dono de emissoras afiliadas da TV Globo. Ele se tornou réu colaborador. Porém, causou grande estranheza o fato de uma juíza de primeira instância do Rio de Janeiro ter proibido o Brasil de trocar informações com autoridades norte-americanas nesta investigação. Ora, se na Lava Jato o Brasil faz isso com os Estados Unidos e a Suiça, por que deixaria de fazê-lo no escândalo da FIFA? A suspeita é de uma ação de cartolas brasileiros para impedir que o FBI chegue à CBF e a todos os seus parceiros, um dos quais é a própria Globo. Por que o Jornal Nacional nunca denunciou esta decisão esdrúxula da Justiça brasileira?

13.  Na Lava Jato, o juiz Sergio Moro autorizou busca e apreensão na sede da empresa Mossack & Fonseca em São Paulo. O objetivo era determinar se o ex-presidente Lula era sócio oculto de uma empresa de fachada dona de um triplex no Guarujá. Mas, em vez de encontrar Lula nos papéis da Mossack, a Polícia Federal encontrou dezenas de donos de empresas offshore da elite brasileira, dentre os quais o genro de João Roberto Marinho, Alexandre Chiappetta Azevedo. Alexandre é dono da empresa Glen/Glem, que por sua vez controla as empresas Vaincre LLC, A Plus Holdings e Juste. No entanto, é o nome da filha de João Roberto Marinho, Paula, que aparece ao lado de anotações de pagamento de taxas de manutenção das offshore à Mossack. A pergunta é: o casal usou as empresas para ocultar patrimônio, para fazer transferências ilegais de dinheiro, prestou serviços a terceiros através das empresas acima mencionadas? A Globo só noticiou este caso enquanto as suspeitas sobre Lula não tinham sido desfeitas. Depois, nunca falou dos arquivos apreendidos na sede da Mossack em São Paulo, nem da aparição do nome da filha de João Roberto Marinho no caso. Por que?

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