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A única guerra que se perde é aquela que se abandona

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segunda-feira, 11 de abril de 2016

O áudio de Temer escancarando o golpe mostra que ele sequer sabe conspirar. Por Kiko Nogueira

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O áudio gravado por Michel Temer com seu “primeiro pronunciamento nacional” é uma peça quase tão patética quanto a infame carta de rompimento com Dilma do ano passado.

AUDIO AQUI
Sua assessoria alega que foi por acaso que a mensagem vazou. Deveria ter ficado no “stand-by” do celular e ser liberada se a Câmara aprovasse a continuidade do impeachment antes de ir para o Senado.
Os 14 minutos seriam editados pelo estafe. É estranho porque, em alguns trechos, há mudanças claras de sonoridade, como se tivesse havido alguma arrumação.
Acabou que o próprio teria mandado o monólogo “sem querer” para deputados, que o remeteram à imprensa.
Segundo seus assessores, portanto, uma coisa é indiscutível: Temer é uma besta tecnológica, que confunde botões. Acredita quem quiser.
Mas esse ato falho, a crer nessa história, deixa patente o golpe, caso alguém ainda tivesse alguma dúvida. O vice — ele ainda é vice — gasta intermináveis minutos com uma discurseira tabajara que deixa evidente, de passagem, a razão de ele não ter voto.
Provavelmente estava de frente para um espelho, ajeitando o paletó. Nu, talvez? Quem estava ao seu lado? A mulher? O Cunha?
Michel Temer é incompetente, inclusive, para conspirar. O retrato que sai dali é o de um homem vaidoso, docemente constrangido a praticar uma traição, hipócrita.
Um canastrão capaz disso: “Muitos me procuraram para que eu desse pelo menos uma palavra preliminar à nação brasileira, o que faço com muita modéstia, cautela, moderação”, diz ele. Muita.
“Não quero avançar o sinal”. Temer não vai acabar com o Bolsa Família, o Pronatec, vai “conversar com o capital e com o trabalho”. As reformas são fundamentais, mas “nós temos de preparar o país do futuro”.
Para além da tragicomédia, o pirata trapalhão Michel Temer repete o gesto de FCH em 1985, quando sentou na cadeira de prefeito de São Paulo, posando para a imprensa, um dia antes da eleição.
Jânio Quadros venceu a parada. “Gostaria que os senhores testemunhassem que estou desinfetando esta poltrona porque nádegas indevidas a usaram”, falou Jânio para os fotógrafos assim que assumiu.
Nádegas indevidas não deveriam mexer em smartphones e muito menos com a Constituição.

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