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A única guerra que se perde é aquela que se abandona

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sexta-feira, 29 de abril de 2016

LADRÃO.

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E aí Michel Temer disse: isto é um assalto!
por Armando Rodrigues Coelho Neto
Muito já se disse sobre o golpe em curso. Vozes lúcidas de todos os matizes já provaram o absurdo. Historiadores voltaram a pergaminhos e escaninhos para desmascarar a farsa. Analistas políticos contemporâneos já mostraram os parâmetros de outros golpes pelo mundo, desencadeados com as mesmas características.
Está tudo claro. A cada postura da grande mídia, a cada voto a favor do golpe em nome de sobrinhos, amantes ou de um cãozinho pinscher, um quadro vergonhoso e tenebroso se cristaliza. Aqui ali, constato criticas da mídia internacional quanto ao papel de sarjeta exercido pela imprensa nacional. No lugar da autocrítica, colunistas de supostos jornais de prestígio afirmam que a mídia internacional se deixou levar pelo “mimi da Dilma”.
Giro em volta e vejo a Polícia Federal, que já matou sem terra, em novo vídeo amador que circula pelas redes sociais, membros da PF, atual capitã do mato do golpe, bate num sem teto até desfalecer. Morreu? Nâo sei. As imagens falam por si. Enquanto isso, a Polícia Militar, que já espancou adolescentes acampados em escolas públicas, já pisoteia universitários na Pontifícia Universidade Católica (PUC) – São Paulo/SP, por defenderem a democracia.
Ainda perplexo com o purulento e escatológico circo do dia 17 de abril, vejo que no dia seguinte um senador teria viajado para os Estados Unidos para buscar o jeton dos votos a favor do golpe. Vejo que a Polícia Federal já tem dia e hora marcada para conversar sobre seu reajuste salarial. A farsa policialesca, igualmente judicialesca que servira de pano de fundo para o golpe está quieta, como se tivesse ladrões de estimação.
E assim, quase ao mesmo tempo, o candidato a substituto no golpe, como quem já comprovou o juiz da partida no primeiro tempo, já discute como será a festa da vitória e como será o novo time. Tudo no melhor estilo do personagem “Gavetão” do escritor e humorista Jô Soares ou do “Justo Veríssimo” – corrupto profissional criado pelo irônico Chico Anísio.
Perdido nesse meu olhar se soslaio sobre a tentativa de golpe, sou intimado pelas circunstâncias a buscar alívio na Corte Suprema. Eis que observo personagens turvos, enigmáticos, reticentes, obtusos diante do maniqueísmo criado pela mídia. Constato um aparente respeito casuístico a independência dos poderes. Paira no ar certa nebulosidade: as motivações da Presidente Dilma Rousseff são “viciadas” e os do Eduardo Cunha, não.
Num país em crise, ainda que em grande parte alimentada por uma farsa política e uma crise econômica internacional, o interesse público está à sorrelfa. Pouco importa que o Governo Federal necessite de um articulador, de alguém com a experiência de quem projetou o Brasil mundialmente de forma positiva. Mais importante que isso são as baboseiras raivosas expostas em pleitos convertidos em liminares. O interesse público, tão proclamado por tironóides de primeira instância, ganha tonalidade furta cor.
Na estranha crise de separação de poderes, senadores não podem ser presos. Mas, foi possível um “flagrante preparado” de ato preparatório, ainda que eu tenha aprendido durante toda minha precária vida no Direito, que “flagrantes preparados são nulos e que atos preparatórios não são puníveis”.  Um deplorável contexto que leva alguns a pensar o que fazer com o título de eleitor e eu com o meu diploma de Direito.
Num lampejo de esperança, juristas lúcidos tentam explicar a lei, princípio da legalidade, isonomia, vício de vontade, inexistência de dolo, que atos políticos quando vinculados ao Direito não são meramente políticos e estão sujeitos a reparo pelo Supremo Tribunal Federal... Resumindo, mostram que o país tem uma Constituição que deve ser respeitada.
Mas, de repente, não mais que de repente, Michel Temer, com o aval de Eduardo Cunha, não disse, mas é como tivesse dito: “isto é um assalto”. E aí, como todos sabem, diante do ladrão não adianta explicar que você é honesto, que seu dinheiro é suado, que é um cidadão de bem e que seu único erro foi andar naquela rua escura, por onde tantos passaram e nunca nada aconteceu. Tudo em vão: o ladrão pega sua carteira e vai embora...

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