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A única guerra que se perde é aquela que se abandona

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quarta-feira, 27 de abril de 2016

GOLPE PARA TODOS, por Marcia Tiburi

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Revista Cult

Golpe para todos


Não se deve dizer o nome do golpe em vão, então diz-se Impeachment.
O golpe legislativo em curso combina bem com o golpe midiático e com o golpe judiciário. Há uma organização sistêmica, uma trama muito bem urdida. Cercados por todos os lados, o simples cidadão é uma presa fácil de armadilhas históricas e insidiosas,vota em espectros políticos, liga a televisão, confia na justiça.
Todos sabem que o golpe é um grande negócio. Travestido de Impeachment, o golpe até parece coisa de gente séria. O cidadão se entrega.
Quando a máscara do golpe cai, surge a face descarnada do cinismo: Temer, Cunha e assemelhados servem de espelho ao cidadão desnutrido ética e politicamente.
O cinismo substitui os processos legais, suga as instituições. O cidadão sem voz não pode pedir socorro. Os cínicos tem o poder e o transformam em violência. Como políticos estupram a democracia, como jornalistas estupram a verdade, como juízes estupram a justiça.
A Constituição foi queimada como uma bruxa. A presidente Dilma Rousseff é a bruxa da vez. O golpe é estupro político. O cidadão observa sem saber o que fazer.
Os cínicos usam a coisa pública para fins privados. Cínicos procuram apagar a ideia de sociedade o tempo todo. O cidadão não contam sequer como eleitor.
Os cínicos dizem Deus. E Deus quer dizer dinheiro. O cidadão não entende a metáfora.
O autoritarismo está na moda. É o que sobra para o cidadão empobrecido que adere ao grande golpe contra uma presidente que não cometeu crime algum, e adere ao pequeno golpe, aquele que ele dá contra si mesmo.
Defensores da tortura e do estupro se tornam heróis em tempos de golpe. O cidadão assiste, mas não leva a sério. Escapa-lhe o que seja a tortura, assim como lhe escapa o que seja o golpe.
A honestidade está em baixa. O xingamento está em alta. O cidadão amedrontado adere ao  que for mais fácil. Pensa que faz justiça com as próprias crenças.
Não se deve dizer o nome do golpe em vão. Então o cidadão espera para ver o que ele já sabe de algum modo intuitivamente:
O golpe é para todos

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