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A única guerra que se perde é aquela que se abandona

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sábado, 9 de abril de 2016

A degradação moral da direita brasileira, por Emir Sader

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A direita brasileira sempre foi conservadora, elitista, preconceituosa, antipopular. Chegou a defender o voto de qualidade, de tanto ser derrotada por Getúlio Vargas, em que o voto do engenheiro valeria 10 e o do operário (“marmiteiro”, como os chamavam), valeria 1. Defendiam o liberalismo como sistema politico e o liberalismo econômico.

No golpe de 1964 se desmascararam e, em nome da defesa da democracia, promoveram e apoiaram a pior ditadura que o pais já teve. A Globo tornou-se o diário oficial da ditadura. A Folha emprestou carros para que a Oban disfarçasse as ações de terror contra os opositores. Chegaram a um nível de suma degradação.

Na redemocratização tentaram – e conseguiram – que ela fosse apenas o restabelecimento das normas básicas do Estado de direito prévio a 1964, sem democratização econômica e social. Mais adiante apoiaram o Collor e o FHC, com seus projetos neoliberais, uma vez, como na ditadura, como se fossem os projetos de redenção do pais e não o que realmente foram, de retrocessos, de estagnação e de exclusão social.

Mas conforme foram perdendo as eleições, 4 em seguida, defendendo a restauração do seu modelo neoliberal, foram perdendo a compostura. Agora querem o golpe, tirar o PT do governo do jeito que seja. Os fins justificam os meios, como acusavam a esquerda de fazer.

Não importa que seja um processo comandado pelo Eduardo Cunha e seus asseclas na comisso do impeachment. Em um certo momento se sentiram constrangidos por ser Cunha renomadamente o politico mais corrupto do Brasil. Houve um momento em que todos os lideres na Câmara pediam sua renuncia à presidência, tal o nível de evidencia do seu envolvimento em processos de corrupção e o seu nível de desprestigio.

Mas, de repente, não. Parecem não se constranger que um politico assim, réu de vários processos de corrupção no STF, siga presidente na Câmara e seja quem conduz o processo de impeachment da Dilma, uma presidenta que não cometeu crimes de responsabilidade, não é réu me nenhum processo, Tem sobre si acusações de praticas de todos os seus antecessores e da grande maioria dos governadores, acusações feitas por um Tribunal Superior Eleitoral, cujo presidente por sua vez, responde por crimes de corrupção.

Mas o próprio núcleo golpista tem em comum o fato de que todos estão com reiteradas acusações de corrupção, o que os fazer acelerar o golpe, para tentar, desde o comando do governo, reverter as deseseperadas situações de políticos como Eduardo Cunha, Michel Temer, Renan Calheiros, Paulinho da Força, entre outros réus de vários processos por corruptos.

Mas vale tudo, como dizia a telenovela com musica arrasadora do Cazuza. Não importam os strip-tease morais nas manifestações, com os cartazes mais imbecis e preconceituosos que o pais já conheceu.

Não importa que sejam os ricos contra os pobres. Não importa que ja não exista imprensa que não seja partidária, porta voz militante do golpe, com o que esperam salvar da falência irreversível suas empresas decadentes. Os jornais e revistas se tornaram oficialmente órgãos dos partidos da oposição, panfletos sem nenhuma credibilidade, sem nem sequer o disfarce de algum tipo de pluralismo.

Como expressões da degradação da direita brasileira, FHC retoma suas teses dos “mal informados” nordestinos e volta a acusar o Lula de “ignorante”. Cony e Gabeira compõem a reserva moral indecente da direita (da qual até o Lobão quer cair fora.)
Não importa que a OAB, ao invés de proteger a democracia e o Estado de direito, adira ao golpe. Não importa que a Fiesp de  novo faça dupla com a OAB, como em 1964, para promover o golpe a ditadura. Não importa que o Bolsonaro seja ídolo dos que se manifestam pelo golpe e o Alckmin e o Aecio sejam enxotados da Avenida Paulista.

Não importa que o impeachment sem crime de responsabilidade seja golpe, nao importa que seja dirigido pelo Temer, pelo Eduardo Cunha, pelo Renan. assessorados pelo Paulinho da Força e pelo Moreira Franco, contra o Lula e a Dilma, que não são réus de nada. Não importa que o Aecio é campeão de menções nas delações premiadas, que o Moro proteja escandalosamente aos tucanos. Que a comunidade internacional ja denuncia do risco de golpe no Brasil.
Agora a direita não tem nem o que propor que não seja a restauração conservadora, a vingança contra os beneficiários das políticas do governo e que sempre votaram contra ela.

E’ uma direita golpista, revanchista, sem pudor, que representa o que de mais vulgar e corrupto que ja teve a política brasileira. Que ja saliva como os ratos do Pavlov diante da possibilidade de repartirem entre si o butim do Estado brasileiro.

Gerou-se a situação paradoxal em que Dilma, eleita pela maioria do voto popular dos brasileiros, e Lula, o presidente de maior prestigio da nossa historia e o maior líder popular ainda hoje, são atacados pelo politico mais escandalosamente corrupto que o pais já conheceu, Eduardo Cunha, em associação com o mais inexpressivo politico atual, Michel Temer, que detém 1% de apoio nas pesquisas e não conta com a confiança de ninguém. Junto a políticos todos processados, que parecem mais uma gangue disposta a assaltar o Estado numa aventura típica de um pais bananeiro.

Mas as coisas não são tão simples para esse bando inescrupuloso de políticos. Ainda tem vários passos que dar no plano institucional, para acertar os tenebrosos interesses dos políticos e economistas derrotados no caminho do golpe. E, principalmente, tem que se enfrentar a um formidável movimento popular em ascensão, que voltara’ a ocupar as ruas e praças do pais como no dia 31, mas que não tem deixado passar um dia sem grandes manifestações das distintas expressões da sociedade civil, de juristas a artistas, de professores a intelectuais, de mulheres a jovens, que pacifica e combativamente fazer ecoar o som mais popular e familiar para os brasileiros do norte ao sul do pais: NÃO VAI TER GOLPE!

E tem ainda que se enfrentar ao único líder popular com prestigio e confiança do povo, Lula. Uma combinação explosiva entre a liderança do Lula, as mobilizações de rua e as manifestações da sociedade civil organizada, compõe um mosaico de resistência com que tem que se enfrentar a gangue de políticos, donos de empresas de comunicação, economistas, empresários falidos, para conseguirem colocar em pratica o novo golpe contra a democracia.

Conseguirão, mesmo às custas de repetir as palavras do politico da ditadura Jarbas Passarinho, “às favas os escrúpulos públicos”, para assinar o AI-5, a aventura de voltar a destruir a democracia no Brasil?

Como reagirão às imensas e permanentes manifestações populares? Como reagirão diante da impressionante liderança do Lula? No seu programa de restauração conservadora não cabem as reivindicações populares que, ao contrario, eles pretendem que sejam as principais vitimas do seu golpe e a conspícua e criminosa presença do fracassado no governo FHC e derrotado nas ultimas eleições, Armínio Fraga, revela os sinistros planos antipopulares e antidemocrático dos golpistas.

Políticos derrotados sucessivamente, corvos sedentos de ainda desfrutar de algum cargo, mesmo através de um novo golpe, como Serra, Aécio. FHC, Alckmin, entre outros, estão condenados ao mais fragoroso repudio popular. Pensam incluir a Bolsonaro nos seus planos, para tentar um tinte popular, mesmo que fascista?

Os golpistas compõem uma corja, uma gangue que reúne o que de pior a política brasileira produziu nestes anos, com a mais degradada mídia que o pais já teve, com banqueiros sedentos de mais sangue, que chamarão de volta – como fez Mauricio Macri na Argentina – o FMI e suas cartas de mas intenções.
Tem, no entanto que combinar com o povo, que já demonstrou não estar disposto a deixar lugar para que esse aventureiros e malfeitores voltem a se apropriar do pais. 

Teriam que passar por cima do povo mobilizado e combativo e da sua maior liderança, Lula. 

Não basta jogar pela janela os escrúpulos. Isso bastava na ditadura. 
Agora tem que se enfrentar a um povo que avançou nos seus direitos durante 12 anos, que conhece seus direitos e que sabe contra quem conseguiu avançar e liderado por quem. 

As coisas não se apresentam fáceis para essa nova direita golpista, por mais degradante que ela se apresente. 

Provocaram o movimento popular brasileiro no que ele tem de mais forte, na sua capacidade de defender a democracia, seus direitos e seus lideres. 

Sentiram todo o seu peso no dia 31 e todo o tempo em que seguirem intentando seu golpe contra a democracia, contra o povo e contra o pais.

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