Meu Facebook

Meu Facebook
A única guerra que se perde é aquela que se abandona

.

.

.

.

.

.

terça-feira, 29 de março de 2016

O que será, que será?

.
Texto de Fabio Chap
.
que será, que será?

Se você não saiu da Terra nas últimas semanas, é brasileiro e tem o privilégio de receber o mínimo de informação, certamente tem se perguntado: ‘o que vai ser da gente daqui pra frente? O que vai ser do Brasil?’

Depois de 10 anos, o país está novamente no noticiário mundial. Dessa vez os motivos não são pra gente se orgulhar; como foram outrora.

Dessa vez ocupamos parte do noticiário global porque a atual presidenta Dilma, seu antecessor Lula, seu antecessor FHC, o vice-presidente Temer; o presidente da câmara Eduardo Cunha, o presidente do Senado Renan Calheiros e um ex-candidato a presidente, Aécio Neves; todos estão absolutamente afundados na lama movediça da atual crise político/moral brasileira.

Vou repetir pra que vocês percebam a gravidade da nossa situação: a presidente da república em exercício, seu antecessor, o outro antecessor, o vice-presidente da república, o presidente da câmara, o presidente do senado e um ex-candidato a presidente: todos eles chafurdados no caos de corrupção e barganha que eles mesmos criaram junto com o poder econômico.

Num cenário normal, de uma República que funciona de maneira decente, poderíamos pensar: ‘Bom, se esses estão lascados, pelo menos temos os peixes pequenos que podem vir a se tornar grandes líderes e nos ajudarem a resolver essa merda toda.”

Pffffff.

Nunca estivemos tão mal representados em toda a esfera política. Do vereador à presidenta, a lama está engolindo a todos. Nós, um povo sistematicamente despolitizado e cada vez mais apolítico, começamos a absorver notícias e informações e refletir sobre as alternativas a tudo isso que concordamos ou discordamos.

Uns creem que a alternativa seja a saída da presidente. Outros não creem nisso. Uns creem que a alternativa seja a diminuição do poder do Estado. Outros não creem nisso. Uns creem até em intervenção militar ‘só pra eu arrumar uma coisinha aqui e depois tudo volta ao normal’. A maioria, felizmente, não concorda com isso.

Incentivados pela ebulição de opiniões de especialistas e não-especialistas e pelo noticiário da TV e da internet; somos compelidos a ter, urgentemente, uma opinião. Coitados daqueles que não a têm.

Coitados daqueles que não sabem se é golpe ou se não é. Ouvimos gente inteligente argumentando em diversas direções. Tem gente que diz que é golpe jurídico/midiático. Tem gente que diz que a constituição presume impeachment, então tá tudo certo com o processo. 

Tem gente que diz que tá tudo ok com os grampos porque políticos não podem agir pelas sombras; tem gente que está desesperada vendo um juiz agir acima da lei divulgando conversas sem indício de crime meramente pra fazer jogatina política.

Há décadas tiraram o ensino da constituição das escolas e agora querem que tenhamos opinião formada em duas semanas.

O rebuliço está a pleno vapor, a questão é: o que virá depois disso tudo? O que será de nós daqui pra frente?

Em caso de impeachment, como ficarão os direitos constitucionais à educação e à saúde?

Em caso de impeachment, como ficará a distribuição de renda e o progresso social? Outros Eikes Batistas voltarão a ser endeusados e o Estado passará a incentivar, ele próprio, o retorno da concentração de renda?

Em caso de impeachment, como ficará a segurança pública? As drogas - mesmo aquelas com poder medicinal - seguirão proibidas por mais uma década e continuarão a ser os pobres e os negros os únicos serem encarcerados por desenvolverem uma atividade, hoje, ilegal, mas que é orquestrada pelo dono do helicóptero e não pelo aviãozinho da esquina?

Em caso de impeachment, policial militar que tira selfie vai ser incentivado a se candidatar nas próximas eleições? Vão criar o PPM - Partido da Polícia Militar - como resposta política às constantes indignações sociais e midiáticas com a postura brutal das PM’s brasileiras?

Em caso de impeachment, como ficarão os debates pra que eliminemos das nossas dinâmicas sociais o machismo, o racismo, a homofobia e a transfobia? Vão relativizar a opressão?

Em caso de impeachment, algumas igrejas e seus pastores se tornarão forças incombatíveis e dominarão a política brasileira em menos de uma década?

Em caso de impeachment, a mídia alternativa brasileira, tão jovem, será varrida pra baixo do tapete e a velha mídia retomará seu protagonismo manipulador?

Em caso de impeachment, quanto tempo a operação Lava Jato vai continuar a durar? Um ou dois meses?

Em caso de impeachment, o que será de nós se deixarmos o Brasil nas mãos de quem acredita que a velha fórmula de ‘acalmar os mercados’ e agradar os super ricos é a saída pra crise político/moral do Brasil?

Em caso de impeachment, o que será de nós se deixarmos os rumos do Brasil nas mãos do PMDB de Temer, de Cunha, de Calheiros, além do PSDB de Aécio, Serra e Alckmin?

Quem tiver resposta, avisa aí, porque tá foda vislumbrar um cenário de ordem, muito menos de progresso.

Em caso de impeachment, a Democracia será relativa ou absoluta? 

Em caso de Autoritarismo, nossa posição será um sorriso de conivência ou a dolorida via da luta?

Tailor Mouse

Tailor Mouse